Segunda edição do ‘Fim de Tarde Cultural’ conta com apresentações de teatro e artes visuais no Campus Umuarama

Iniciativa da Diretoria de Cultura promove, no dia 7 de outubro, novo encontro aberto à comunidade
Por Renan dos Santos
02/10/2026 - 16:57 - atualizado em 02/10/2026 - 16:57
Cartaz de divulgação do evento "FIM DE TARDE CULTURAL", com símbolo de sol em azul sobre fundo bege. Informa a data e horário: "7 de outubro, às 17h30", e o local: "Centro de Convivência UFU Umuarama". No topo, há os logos da UFU, da Proexc e da Dicult.

O Centro de Convivência do Campus Umuarama da UFU recebe, na próxima quarta-feira (7/10), às 17h30, a segunda edição do projeto “Fim de Tarde Cultural”. Promovida pela Diretoria de Cultura (Dicult), por meio da Divisão de Promoção Cultural (Diproc), a ação dá continuidade ao circuito mensal de apresentações artísticas destinadas à comunidade acadêmica e ao público em geral.

A proposta visa ocupar os espaços de convivência no término das aulas e do expediente, valorizar a produção artística universitária e promover momentos de lazer e integração nos campi.

 

Teatro autoral e conscientização

Nesta edição, a programação cênica traz a apresentação de um espetáculo teatral infantojuvenil concebido e escrito por Samira Benassi. A montagem acompanha a jornada de três amigas em um cenário distópico no qual guardiões racionam a água do planeta, motivando as personagens a partirem em busca da água pura – elemento que elas só conhecem por relatos – na natureza.

A peça foi criada originalmente em 2025 para a Semana Mundial da Água, a convite do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), e desenvolvida, de forma voluntária, ao longo de dois meses. Diante da ausência de dramaturgias prontas com essa premissa, o grupo construiu a narrativa a partir de jogos e exercícios de improvisação teatral. "O processo criativo é contínuo, ele nunca acabou. Desde a primeira apresentação em 2025 até hoje, muitas mudanças rolaram porque estamos sempre ensaiando, encontrando novas possibilidades, melhorando pontos e improvisando. É um espetáculo 100% autoral do nosso grupo", relata Benassi.

 

Território, identidade e dança

Outro destaque da programação é a intervenção artística idealizada por Thuany Nazareth, concebida a partir de uma investigação audiovisual interativa que relaciona território, memória e movimento. Desenvolvida ao longo de 11 meses, entre a concepção inicial e a sua primeira exibição em novembro de 2025, a obra nasceu da própria trajetória da artista.

Natural de Riacho de Santana, na Bahia, Nazareth partiu de sua experiência como mulher nordestina e das leituras preconcebidas que as pessoas costumam associar ao seu local de origem para problematizar o vínculo entre espaço geográfico e corporeidade. "Passei a questionar-me sobre o quanto a região em que uma pessoa cresce e se forma pode influenciar na cultura, naquilo de que gosta ou não, e no que ela dança, aqueles movimentos que surgem naturalmente do corpo numa festa de família ou quando se dança sozinha em casa", pontua a criadora.

Composta por cinco produções em vídeo dedicadas a vertentes distintas da dança com artistas convidados, a exposição aposta na autonomia do público por meio de códigos QR afixados no espaço físico, acompanhados por registros fotográficos. Ao digitalizar as etiquetas sonoras e visuais com o aparelho celular, os visitantes têm acesso a relatos, coreografias e composições visuais que fogem ao registo documental tradicional. "Gastei bastante tempo para desenhar uma direção que contasse essas narrativas não somente por meio das falas, mas também de imagens estáticas e momentos de dança dos artistas. Criar uma ligação coerente entre vídeos de linguagens tão diversas foi um processo tão desafiador quanto gratificante", destaca Nazareth.

 

Ancestralidade e memória familiar

No campo das artes visuais, a artista Isa Oliveira apresenta uma produção dedicada à negritude, à ancestralidade e ao protagonismo de mulheres negras. A estudante conta que as criações tiveram início em disciplinas de ateliê entre 2023 e 2025 e foram aprofundadas durante a elaboração de seu Trabalho de Conclusão de Curso.

"A ideia surgiu da necessidade de retratar pessoas negras comuns em obras de arte, valorizando suas histórias e sua presença. Quis trazer para o espaço expositivo meus familiares e suas experiências, dando visibilidade às nossas memórias, afetos e a quem faz parte da nossa construção", destaca Oliveira.

A artista utiliza fotografias do arquivo pessoal como ponto de partida, articulando serigrafia, pintura, linogravura e o uso de tecidos costurados, técnica que resgata saberes manuais transmitidos em sua família.

 

Serviço

  • Evento: 2ª Edição do projeto "Fim de Tarde Cultural";
  • Data: 7 de outubro de 2026 (quarta-feira);
  • Horário: a partir das 17h30;
  • Local: Centro de Convivência do Campus Umuarama da UFU;
  • Classificação e entrada: gratuita e aberta a toda a comunidade.